As frequentes aparições dos virtuais candidatos a Presidência da República fazendo campanha, antes da hora permitida por lei, demonstra o nível baixo em que o rumo pré-eleições começa a tomar. Pela lógica política, vale tudo pra ser eleito. Dilma Rousseff e José Serra arrumam sempre motivos dos mais estranhos para aparecer - de inaugurações de placas a anúncios de obras mal acabadas.
Recentemente, o governador de São Paulo tinha na agenda inauguração da nova pista da Marginal do Tietê. Nela há trechos que não ficaram prontos até a solenidade. Falta sinalização, como determina o Código de Trânsito Brasileiro e não há iluminação, que só deve ser instalada em seis meses. Uma semana antes, ele usou placas para inaugurar à distância projetos no interior do Estado, fora as maquetes que foram incansavelmente criticadas pelo presidente Lula.
Lula não pode se dar esse luxo. A candidata dele, Dilma Rousseff tem usado do status de ministra e de igual esperteza para também fazer campanha. No currículo houve até inauguração de obras já inauguradas. No último dia 24, ela reinaugurou trecho da BR-319 ainda com o asfalto inacabado, entre Humaitá (AM) e Porto Velho (RO), e fez um discurso com elogios ao presidente.
Como a recíproca é verdadeira, Lula elogiou a candidata e se deu mal. O Tribunal Superior Eleitoral condenou o presidente a pagar uma indenização de 10 mil reais por campanha antecipada. É a segunda multa imposta pela justiça eleitoral em pouco menos de um mês. Depois de saber da decisão, Lula fez graça. Ironizou ao perguntar, durante evento, quem iria pagar a conta. Ouviu de simpatizantes eufóricos do partido, presentes na plateia, de que eram eles, numa demonstração de “solidariedade”.
A ironia do chefe do poder executivo a uma decisão do poder judiciário é uma amostra clara de que, apesar de uma legislação severa, todos os candidatos têm dado a mínima para o tribunal. Na política do Brasil as leis necessariamente não são para serem cumpridas. E a ética, ora universal, varia de acordo com os interesses.






Quando o mandato de Luis Inácio Lula da Silva terminar, um ciclo de 16 anos terá sido encerrado. Um ciclo que começou ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso e foi responsável pelo amadurecimento da noção, por parte dos eleitores, da importância de uma escolha não apenas democrática, mas também acertada sobre os rumos do país. Só quando o brasileiro se deu conta dessa importância, conseguiu sair do fosso de lama em que estava durante mais de trinta anos, entre governos ditatoriais e governos de fisiologismo.














































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