Com o início da pré-campanha eleitoral os ataques se intensificam. No centro do debate há, ao invés de uma discussão sobre os projetos futuros, a tradicional cisma com o passado. O clima de Fla-Flu, imposto por PT e PSDB demonstra a vontade maquiavélica em apontar defeitos nos adversários que são comuns também a quem aponta. É notória a disputa mesquinha que beneficia apenas os partidos. Vence quem conseguir a custo de bom desempenho buscar números gloriosos. Mas que apresentados em contexto reforçam a tese: em quase duas décadas no poder, ambos acumulam defeitos imperdoáveis.
A educação melhorou, com substancial queda na taxa de analfabetismo e de crianças fora da escola. A qualidade da escola, no entanto, ainda continua devendo. Crianças e adolescentes são aprovados de maneira irresponsável. Chegam à universidade (e quando chegam!) sem saber o básico. O aprendizado do estudante de escola pública ainda é bem melhor em relação aos de escola particular. Mais preparados, estes alunos são a esmagadora maioria nas universidades federais.
A taxa de desemprego caiu a níveis importantes, mas quase três milhões de pessoas estão sem trabalho no Brasil. Muitos vivem na informalidade, outros trabalham em situações degradantes. O salário aumentou, mas o poder de compra do brasileiro ainda é mínimo. Com elevadas taxas de juros, trabalha-se mais de cinco meses pra pagar imposto. O reajuste da aposentadoria não acontece na mesma sintonia que o mínimo. Muitos aposentados não ganham nem um terço do que quando se aposentaram. Mais de 70 milhões de brasileiros são considerados miseráveis. E 17 milhões, literalmente, passam fome, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Como se vê, falta um debate que dê conta do que fazer com um Brasil que, nos números, pode se tornar a quinta potência econômica mundial. Mas tem graves problemas de terceiro mundo em que qualquer propaganda de “país perfeito” soa à demagogia.
É certo que a campanha só está começando. Mas a julgar pelo que reforçam as figuras políticas dos dois partidos, assim ela deve seguir, sem propor melhorias efetivas. Que ao longo da campanha a balança de quem errou menos, seja substituída pela de quem pode acertar mais.
*A partir de agora este articulista também virou blogueiro e convida todos os leitores a acessar www.eleicoes2010.zip.net



Quando o mandato de Luis Inácio Lula da Silva terminar, um ciclo de 16 anos terá sido encerrado. Um ciclo que começou ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso e foi responsável pelo amadurecimento da noção, por parte dos eleitores, da importância de uma escolha não apenas democrática, mas também acertada sobre os rumos do país. Só quando o brasileiro se deu conta dessa importância, conseguiu sair do fosso de lama em que estava durante mais de trinta anos, entre governos ditatoriais e governos de fisiologismo.



































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