Não evenlhecemos, apenas caminhamos pelo tempo. E ele nos trás a convicção da inexorabilidade da vivência. Transpassam as paisagens, esmaecem as fisionomias e os fatos não se repetem. É como o manusear um álbum. Caminhamos, transitamos. Deus nos contempla e cuida dos caminheiros. Apenas esta fé nos anima e nos consola a cada acontecimento.
Esta cogitação me assalta quando deparo com desaparecimento de partícipes de minha história pessoal. Por exemplo, colegas de estudos ou ainda figuras dos cenários do existir como agora sucedeu com a inesperada morte do José de Anchieta Freitas, de quem fui parceiro em tantas etapas da vida: um dia no Seminário Seráfico Santo Antonio dos franciscanos, depois na Faculdade de Direito da UFMG, culminando com o exercício da advocacia. De certo feita, cruzamos os corredores na atividade de magistério.
Na realidade, José de Anchieta viajou antes do tempo de nossas expectativas por causa de acidente de trânsito. Um carro, numa velocidade desproporcional aos seus passos, fechou os olhos, numa tarde. Restou espólio de uma convivência amena de mais de quarenta anos como amigo e colega em tantas oportunidades.
O que denominamos inesperados é o cotidiano da vida: surpresas que acumulam lembranças. A partida do Anchieta para estação do sempre levou alguém e deixou a certeza de os aniversários se tornam, a partir de certo somatório. A construção do vazio. Clamam nele as vozes inúteis de nossas saudades e a dor de ausência.
Um costume, que se vai fazendo rotina, me tem levado a contemplar, sempre que a notícia que chega de um falecimento. O quadro em miniatura dos formados de 1964. Vislumbro lacunas. Descubro rostos, agora antigos. Presentes apenas recordação. Tantos e tantas. Entre os Josés: José Geraldo, o José Afrânio, o José Ferraz. Hoje, José Anchieta. Amanhã, Deus sabe quem em outro lugar da geografia do alfabeto.
É meio difícil escrever sobre os desaparecidos do tempo humano porquanto sentimos a solidão do deserto conquistado com o andar da idade. Certeza que nada retorna. Nem as paisagens nem as criaturas. Para que olha para trás? O futuro se encontra no coração de Deus, mais sempre perto sempre.
José de Anchieta, no final das contas, é outro José na lista das ausências, mais uma presença na saudade.
• Da academia Divinopolitana de Letras.



Quando este texto chegar a seus olhos, o leitor apenas terá memória da jornada definitiva de Simão Salomé de Oliveira, decano dos advogados de Divinópolis, para uma das moradas da casa do Pai. Na verdade, a história do Judiciário local está marcada por sua presença em tantas décadas na condição de advogado sempre estudioso de cada caso, objetivo nas petições e lógico no raciocínio. Realmente, um vocacionado para o ofício. 














































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