FOTOS: MARKON MAIA
A Auto Escola Cônsoli (leia-se Centro de Formação de Condutores) iniciou suas atividades em Divinópolis, em 1965, sendo a pioneira do setor na região e a quarta registrada pelo DETRAN, em Minas. De lá pra cá, a empresa trabalha sentido de aprimorar cada vez mais seu atendimento e a qualidade de seus serviços. Segundo o sócio-proprietário Carlinhos Cônsoli, a história da auto-escola se funde um pouco com a história da cidade.
“Nossa empresa se desenvolveu junto com Divinópolis. Naquela época (65) dirigir era uma coisa não muito normal, não existia fiscalização, os critérios eram bem diferentes dos de hoje, era fácil dirigir sem habilitação. A cidade cresceu, passou por modificações e o mesmo aconteceu com a auto-escola. A primeira importante mudança na atividade das auto-escolas em todo o país demorou mas aconteceu em 1998, surgiram os Centros de Formação de Condutores. A partir dali foi necessária a transferência de endereço da Cônsoli da av. Primeiro de Junho para a av. Getúlio Vargas, numa sede adequada para o trabalho de CFC. Temos aqui duas salas de legislação de trânsito, que dá amplo conforto para o candidato se habilitar. Contamos também com um professor de legislação que está conosco há 30 anos, além de alguns instrutores que trabalham na Cônsoli há décadas. Após as transformações de 98, outra grande mudança no trabalho aconteceu em 2005 com a resolução 68/69, que mudou todo o procedimento para habilitação. Com esta mudança sentimos também que houve uma grande melhora na qualidade e no índice de aprovação. De qualquer forma, independentemente das grandes transformações na execução do trabalho, a nossa responsabilidade sempre foi manter a tradição de nossa empresa, correspondendo ano após ano a toda confiança que os clientes depositaram no CFC”, ressalta Carlinhos.
Você citou que demorou muito para haver mudanças, e de repente elas começaram e não param mais. Foi difícil acompanhar essas mudanças?
Existe sim uma grande dificuldade do CFC de se adaptar às novas realidades. Isto porque a auto-escola é uma concessão do DETRAN e quando este órgão, juntamente a outros ligados ao trânsito, toma alguma decisão, ela normalmente acontece de forma unilateral - não existe uma consulta, um conselho que possa responder pelas auto escolas, essas determinações são impostas. A biometria foi uma grande novidade que surgiu no CFC. Nós da Cônsoli, antecipadamente sabíamos que a biometria seria aprovada e há três anos iniciamos esse trabalho. Quando ele entrou para valer só no início de 2009 nós já estávamos trabalhando desde 2006 prevendo o que o DETRAN faria. Obviamente tentamos antecipar um pouco os fatos e começamos a montar um cenário mais condizente com o que será visto no futuro até para não haver nenhum impacto. Não somos totalmente surpreendidos com as mudanças, pois, acompanhamos a movimentação nos bastidores e temos uma noção do que vai acontecer. Obviamente que isso reflete de modo geral nas auto-escolas de maneira muito negativa, porque tem que existir uma preparação maior (tempo) por parte do CFC para repassar as novidades aos seus alunos. Até então, as auto-escolas não tem essa oportunidade de debater, sentar, conversar, e ter uma voz ativa dentro do órgão de trânsito.
Com tantas novidades, algumas podem ser encaradas como desnecessárias? E sobre a mais recente delas – aulas de direção à noite, o que você tem a dizer?
Como consultor de trânsito, porque sou formado, especializado, e pós-graduado em trânsito, acredito que o DETRAN tem que mostrar serviço, ou melhor, o DENATRAN. O Dr. Alfredo Perez (diretor do órgão) tem que mostrar para o seu chefe que ele tenta fazer algo para reduzir o índice de acidentes de trânsito no Brasil que é absurdamente grande. Ou seja, ele tenta de alguma forma fazer algo sem antes analisar de fato se é uma coisa que vai trazer resultados positivos. Eu acredito que o órgão trabalha com dados empíricos e não científicos para tomar uma decisão tão desnecessária quanto colocar uma pessoa para fazer um treinamento à noite. Quando eu entrei em uma auto-escola não aprendi dirigir à noite e nem por isso sou melhor ou pior condutor. A mesma coisa eu me refiro ao que o DENATRAN fez com as pessoas que tiraram a carteira antes de 1994, obrigando todos a voltar ao CFC para fazer um curso de atualização, de direção defensiva e primeiros socorros. Com isso o órgão acreditou que estaria melhorando e reduzindo o número de acidentes, o que não aconteceu porque não adianta você vacinar quem está contaminado, você tem que vacinar aqueles que ainda não foram contaminados. Acho que o DENATRAN acerta em 50% nas suas decisões, mas não consegue resolver em definitivo o problema dos acidentes. Ele deveria ter se preocupado em exigir dos candidatos a uma carteira de habilitação treinamento em vias de trânsito rápido.
Diante disto, há situações que deveriam ser praticadas e ainda não foram autorizadas...
Eu acho que essa de você colocar o aluno pelo menos em uma rodovia, seria de grande validade. O comportamento do carro em uma velocidade maior muda totalmente. Um cenário urbano é diferente do cenário de rodovia, aí sim eu acredito que seria algo positivo e que daria certa possibilidade das pessoas saírem mais bem preparadas da auto escola. Se o DENATRAN resolvesse colocar as pessoas para fazer um treinamento na rodovia, isso surtiria mais efeito do que colocá-las para treinar à noite. A gente percebe que a maioria dos acidentes com morte acontecem por falta de preparo do motorista. Uma pessoa que tira uma carteira de habilitação recebe uma permissão e já se sente no direito de pegar uma rodovia. Se essa pessoa vai para rodovia despreparada ela não tem noção de profundidade, não consegue analisar se o tempo dela para ultrapassagem é suficiente e não consegue ter uma noção exata de qual velocidade ela precisa para ultrapassar um veículo. Agora se a pessoa está dirigindo de dia ou de noite, isso tanto faz, obviamente que a gente aconselha as pessoas a dirigir durante o dia por causa da visibilidade, mas ela com certeza vai precisar pegar o veículo à noite.
Qual o diferencial que vocês oferecem aos alunos que os procuram?
O que nós temos de grande diferencial é a vasta experiência. Porém, só o nome não é decisivo, você tem que inovar, acompanhar as evoluções do tempo. Temos grandes profissionais que trabalham conosco vários anos e a experiência é um marco muito importante da Cônsoli. Oferecemos também um aprendizado diferente, trabalhando com os nossos instrutores para manter uma metodologia eficiente capaz de formar um verdadeiro cidadão para o trânsito. A nossa grande preocupação é essa, deixar a pessoa antenada para as coisas que acontecem no dia a dia - tentamos passar toda a realidade possível dentro do carro. Além disso, se a pessoa tem algum problema ou alguma dificuldade de pânico ou medo, temos um trabalho diferenciado para que ela desperte o desejo, o interesse, o prazer de dirigir. Oferecemos também material didático de última geração e veículos sempre atendendo à necessidade das pessoas. A maioria da nossa frota tem direção hidráulica, o que também favorece consideravelmente a pessoa na hora de aprender a dirigir. Estes são alguns dos nossos diferenciais, que no decorrer dos anos vão sendo analisados e colocados em prática.
Poderia ser dito que o CFC não se limita apenas a uma atividade comercial. Ele também possui uma responsabilidade social...
Sim. Nós temos essa consciência e acho que o investimento na educação de trânsito tem de ser prioritário em qualquer CFC. Isso porque a realidade do nosso trânsito, não só de Divinópolis, mas no resto do Brasil é preocupante. Falta respeito, não só do condutor mas também do pedestre que às vezes também é imprudente. Outro detalhe importante que já é debatido nos CFC é questão do meio ambiente e cidadania, ou seja, não descartar material pelas janelas do carro. A gente vê isso acontecer muito em rodovias, isso acaba com o nosso meio ambiente e ainda pode causar um acidente.
Como é hoje o funcionamento da Cônsoli?
Nós temos 32 funcionários, ou melhor, colaboradores. Nós temos uma equipe muito coesa, muito organizada. O nosso atendimento é todo online, com uma interligação direta ao DETRAN. A pessoas não precisa sair da auto-escola para fazer nada, a auto-escola faz tudo para ela. Ela vem pra Cônsoli é muito bem recebida, atendida, tem todo um atendimento personalizado e diferenciado. Há tempos atrás o cliente tinha que sair daqui do CFC ir ao DETRAN, voltar aqui e ir em outros locais. Hoje não é preciso mais isto. A Cônsoli está preparada para receber e organizar toda a documentação e o candidato fica preocupado só em tirar a carteira.
Como é essa relação de aluno e auto-escola?
A grande jogada de todo empresário é fazer com que o cliente se sinta em casa. O aluno tem que começar a perceber que a auto-escola está ali para ser uma parceira. Ela está para ajudar. E esta relação evolui - o aluno de repente se apega à auto-escola com tanto carinho que depois que ele se habilita, volta sempre no CFC para ver seu instrutor e outras pessoas que ajudaram no processo. Isso é importante tanto para o aluno quanto para nós. Não tem nada melhor que quando você sai na rua e vê aquela pessoa dirigindo que foi o seu aluno. Isso é o que dá o prazer para que cada vez mais a gente aprimore a nossa qualidade, o nosso atendimento.
Antes parecia ser mais fácil tirar carteira. É correto afirmar isto?
Sem dúvidas. Desde 1990, ano que eu tirei a minha carteira de instrutor, venho acompanhando essas mudanças. Antes era um pouco mais fácil se habilitar, isso porque não existia tantos critérios como existem hoje e a gente não tinha tanta noção e responsabilidade que tem hoje. Naquela época, o CFC não ministrava aulas de primeiros socorros, de direção defensiva, de meio ambiente e cidadania, de mecânica. Obviamente que, se o DENATRAN aumentou de 30 para 45 aulas, ficou mais difícil conseguir a habilitação - você tem que ter mais disponibilidade, porque naquela época se tirava carteira em menos de um mês e hoje pra uma pessoa tirar uma carteira tem que ter disponível uns três meses. Sendo um pouco otimista, em dois meses e meio ela consegue se habilitar.
Isso causou uma queda na procura?
Não. Obviamente que tivemos uma pequena redução, mas não devido a essas novas normas. Foi porque a concorrência foi aumentando. Naquela época de 1980, 1990, as pessoas tiravam carteira por luxo e hoje a pessoa tira carteira porque ela tem que ter a habilitação.
Que avaliação você faz do trânsito de Divinópolis?
Eu faço uma avaliação positiva em relação ao que nós tínhamos há 2 ou 3 anos. Desde que existiu a preocupação em criar uma secretaria especifica para o trânsito, em criar novas diretrizes e melhorar a fiscalização, a sinalização, a coisa mudou. Hoje, Divinópolis é uma cidade muito mais bem sinalizada e com motoristas um pouco mais conscientes, respeitando as regras de trânsito, como por exemplo a faixa para pedestres, o que não acontecia.
E demorou para esta mudança de postura?
Acho que sim, demorou e muito. Mas este é um trabalho a longo prazo, ninguém vai conseguir fazer isso de forma eficaz em pouco tempo, mas já houve um início. A tendência é Divinópolis ter um trânsito cada vez melhor.
*O Centro de Formação de Condutores Cônsoli funciona na Av. Getúlio Vargas, 965. Telefone: (37) 3221-0108.



Pós graduada em Direito (com várias especializações), Maria Aparecida Santana, 50, atua como Escrivã Judicial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Divinópolis. Atuou como advogada durante 13 anos e, logo após, fez o concurso do Tribunal de Justiça, por sinal, o primeiro para escrivão - o cargo foi criado em 1988. O trabalho do escrivão, segundo Cida, baseia-se em gerenciamento, assessoria e estratégia.














































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